domingo, 6 de setembro de 2020

Fada Moderna vai aparecer na 6° SIIEPE

ARTIGO SUBMETIDO NO VII CONGRESSO DE EXTENSÃO E CULTURA - VI SIIEPE - UFPEL 2020


FADA MODERNA: DO PRESENCIAL AO REMOTO

 

ESTEFÂNIA ALVES KONRAD1;

CRISTINA MARIA ROSA3.

 

1Universidade Federal de Pelotas – estefaniakonrad@hotmail.com

3Universidade Federal de Pelotas – cris.rosa.ufpel@hotmail.com

 

1. INTRODUÇÃO

 

No trabalho apresento a criação, produção e execução de um projeto interativo personagem-conteúdo-público intitulado “Fada Moderna”. Por meio de postagens em blog desde 12 de maio de 2020 e em um perfil na plataforma Instagram desde 11 de junho de 2020, tive como objetivo democratizar o acesso a escritas literárias e acadêmicas. Autorizada por autoras e autores, realizo leituras e reproduções de trechos de livros. Discente em Pedagogia na FaE/UFPel, venho adquirindo experiência na leitura de textos literários – especialmente literatura infantil – através de projetos desenvolvidos como bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET Educação UFPel), o que justifica meu interesse. Em 2020, com a inviabilidade de exercer as demandas no modo presencial, surgiu à emergência de organizar formas para manter o estudo e o vínculo com as tarefas de ensino, pesquisa e extensão. Assim, divulgar a já consolidada “Fada Moderna” – personagem criada com intuito de ser bilhete de ingresso em plataformas online – foi o modo de manter leituras que, anteriormente, ocorriam em escolas, eventos literários, bibliotecas, seminários e festas comunitárias, entre outras. Ao criar veículos virtuais, gerei um material que originou esse estudo.

A primeira pergunta que surgiu, quando do desejo de divulgar todo o experimento foi: Este trabalho se caracteriza como extensão? Se sim, em que termos teóricos eu o defenderia?  Sou estudante, pesquisadora e criei uma personagem. Como essas três “identidades” se inserem em um trabalho científico? Quem descreve quem? A personagem e a pesquisadora podem ser objetos de estudo?

Com essas dúvidas, busco escritas sobre a importância da utilização de personagens e as encontro em (NUNES, 2015) e sobre a escrita autobiográfica (BUENO, 2002). NUNES (2015) reitera que as tecnologias – cada vez mais na realidade das crianças – juntamente com personagens, são artifícios que “[...] acaba por dizimar a magia e a riqueza que há por trás desse recurso, que vai além de informar, entreter, motivar ou simplesmente transmitir algo” (p. 16). BUENO (2002) evidencia que a narrativa não é “[...] um relatório de acontecimentos, mas a totalidade de uma experiência de vida que ali se comunica” (p. 20). No artigo O método autobiográfico e os estudos com histórias de vida de professores: A questão da subjetividade, a autora relaciona esse método com a formação dos professores, momento em que me encontro agora. Em suas palavras:

 

Fundamentalmente, é preciso pensar a formação do professor como um processo, cujo início se situa muito antes do ingresso nos cursos de habilitação – ou seja, desde os primórdios de sua escolarização e até mesmo antes – e que depois destes tem prosseguimento durante todo o percurso profissional do docente (BUENO, 2002, p.22).

 

Pautada nestes princípios teóricos e metodológicos é que argumento pela necessidade e importância de colocar em prática e refletir sobre as ações que envolvem personagens, principalmente quando se trata de futuras(os) professoras(es).

 

2. METODOLOGIA

 

Ao buscar descrever a criação, produção e execução do projeto “Fada Moderna” no universo da 6° SIIEPE, cerquei-me de metodologias de cunho qualitativo – segundo GUERRA (2014), uma abordagem que “objetiva aprofundar-se na compreensão dos fenômenos que estuda” (p. 11), – e de atitudes exploratórias, que buscam “levantar informações sobre um determinado objeto, delimitando assim um campo de trabalho” (SEVERINO, 2007, p.123). Como procedimento, escolhi realizar um inventário – produto e o processo de alguém que está em busca (PRADO; MORAIS, 2011) – acerca do grupo de ações que surgiram em tempos de trabalho obrigatoriamente remoto. Inventários, de acordo com PRADO; MORAIS (2011):

 

[...] revelam nossas próprias contradições, limites, inconclusões, incertezas, imprecisões. Ele é o produto e o processo de alguém que está em busca de um modelo que reconheça e incorpore a possibilidade de pensar o conhecimento de maneira compartilhada e complexa. Em busca. Não em chegada. (PRADO; MORAIS, 2011, p.146).  

 

Levando em conta os postulados acima, descrevo passos – ideias, escolhas, tentativas, manifestações, atitudes, desvios, trocas de rota – ou seja, todos os procedimentos metodológicos dos quais lancei mão, no período de quatro meses (maio a setembro de 2020) para chegar ao universo online com a Fada Moderna e seu conteúdo e a desenvolver como um projeto extensionista.

 

Passos:

 

O primeiro passo foi criar uma conta na plataforma “Blogger” – para isso é preciso ter um e-mail já existente;

Configurar layout de acordo com as minhas necessidades, portanto configurei as cores e a forma de apresentação do blog para o público e adicionei um plano de fundo – feito na plataforma “Canva.com”;

Compartilhar minhas escritas autorais com determinada frequência e procurar formas de divulgar para que outras pessoas pudessem ter acesso a este trabalho;

Pensar na divulgação, que a princípio se deu por compartilhamentos em grupos da plataforma “Whatsapp” e, posteriormente, pensando em expandir o acesso é que criei a conta na plataforma “Instagram”.

No Instagram, além do feed de notícias, onde posto “chamadas” para que os seguidores acessem o blog, também utilizo o recurso de “hashtags” famosas que tenham ligação com a escrita, para que leitores – ainda não seguidores - possam se deparar com este trabalho;

Para validar e engajar a plataformas que impulsionam o trabalho autoral inscrevi o projeto “Fada Moderna” em eventos: no edital cultural promovido pela ADUFPEL em julho deste ano e no VII CEC/ VI SIIEPE/UFpel, por exemplo.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Emergencialmente, precisei aprender a trabalhar de forma remota, em âmbito geral, sendo esta a maior descoberta. Apesar das dificuldades iniciais, percebi que um grupo considerável de ações idealizadas em curto período foi desenvolvido com êxito, encorajando-me a planejar projetos a médio e longo prazo. Entre as já postas em prática, tenho disponível hoje, em ambas as plataformas, escritas acadêmicas e literárias, bem como fotografias, ilustrações, correções ortográficas e melhoramentos que foram ocorrendo conforme os feedbacks do público. 

Uma das maiores satisfações, neste curto período de existência do projeto, foi perceber a identificação de um grupo de crianças que, em contato com as escritas literárias infantis, se deleitaram, curtindo cada história, conto e poema.

 

4. CONCLUSÕES

 

Depois dos primeiros quatro meses de trabalho remoto, sinto-me madura para refletir sobre a importância e o impacto positivo destas ações na vida das pessoas, sejam elas jovens, adultos e, principalmente, crianças que, neste período, acessam com mais intensidade as plataformas em busca de conteúdo relevante. Acredito que o programa Fada Moderna consegue suprir esta necessidade com qualidade e gratuitamente.  Compreendi a escrita de PRADO; MORAIS (2011) para quem é difícil quando “tomamos como objeto de investigação uma experiência na qual fomos (ou somos) também partícipes, quando elegemos materiais de análise nos quais estamos profundamente implicados” (p.148). Estou aprendendo. Observando do ponto de vista da extensão universitária, compreendo que ao propor, desenvolver, receber retorno e avaliar, completo o grupo de critérios típicos de um projeto. Sua continuidade é um de meus objetivos.

 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BUENO, B. O. O método autobiográfico e os estudos com histórias de vida de professores: A questão da subjetividade. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.28, n.1, p. 11-30, 2002.

 

GUERRA, E. L. A. Manual de pesquisa qualitativa. Belo Horizonte: Grupo Ânima Educação, 2014.

 

KONRAD, E. A. Fada Moderna. Blogspot, Pelotas, c2020. Acessado em: 12 de Set. de 2020. Online. Disponível em: https://efadamoderna.blogspot.com/

 

NUNES, G. V. O jogo narrativo na educação infantil: compreendendo o mundo através de personagens. TCC (Graduação em pedagogia) – Faculdade de Educação, Unipampa.

 

PRADO, G. V. T. MORAIS, J. F. S. Inventário – Organizando os achados de uma pesquisa. EntreVer, Florianópolis, v. 01, n.01, p. 137-154, 2011.

 

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho cientifico. São Paulo: Ed. Cortez, 2007.


VÍDEO DE APRESENTAÇÃO DO ARTIGO

 

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